O Tricolor Paulista atravessa um momento delicado sob o comando de Hernán Crespo, com um aproveitamento que tem gerado debates acalorados entre a torcida e a imprensa especializada. A análise do desempenho do técnico argentino revela um contraste notório entre o início de seu trabalho e a fase atual, marcada por uma sequência preocupante de resultados negativos, especialmente a partir das quartas de final da Copa Libertadores.
A performance recente do São Paulo sob o comando de Hernán Crespo tem sido motivo de grande apreensão. Desde a eliminação na Copa Libertadores para a LDU, o time acumulou sete derrotas em apenas oito partidas disputadas. Este cenário alarmante coloca o treinador em uma situação de pressão crescente, aproximando-o do número de reveses de sua primeira passagem pelo clube, mas com consideravelmente menos jogos em seu currículo recente. É fundamental analisar as nuances dessa trajetória para entender os fatores que levaram a este declínio e se há caminhos para a recuperação.
O Início Promissor e a Conquista do Paulistão
Ao revisitar a primeira experiência de Hernán Crespo no comando do São Paulo em 2021, é possível constatar um início avassalador. Nas primeiras 23 partidas sob sua batuta, o Tricolor sofreu apenas duas derrotas. Essa eficiência inicial culminou na tão esperada conquista do Campeonato Paulista, encerrando um jejum de quase nove anos sem títulos para o clube. Aquele time exibia um futebol envolvente e resultados expressivos, gerando grande otimismo na torcida tricolor.
O início de sua primeira empreitada no Morumbi foi, sem dúvida, espetacular. Com apenas uma derrota em 18 jogos, Crespo parecia ter encontrado a fórmula para o sucesso. No entanto, a temporada de 2021 foi marcada por um calendário implacável, intensificado pelas consequências da pandemia de Covid-19. A equipe se viu forçada a disputar jogos em intervalos curtíssimos, muitas vezes a cada dois dias. Esse ritmo frenético, aliado à necessidade de entregar resultados em todas as competições, incluindo um Campeonato Paulista tratado com a importância de uma final de Copa do Mundo pela própria diretoria, levou ao desgaste físico do elenco.
Esse esgotamento físico teve um impacto direto no desempenho do time no início do Campeonato Brasileiro. A equipe demorou a engrenar, conquistando sua primeira vitória apenas na 11ª rodada. Essa dificuldade inicial fragilizou o trabalho do treinador e semeou as primeiras dúvidas sobre a sustentabilidade do projeto a longo prazo. A necessidade de se recuperar na principal competição nacional após um início tão adverso consumiu energias e recursos, tanto físicos quanto mentais, da equipe.
A Queda Livre Pós-Libertadores: Estatísticas Alarmantes
A situação atual, no entanto, é drasticamente diferente e preocupante. A “lua de mel” do retorno de Hernán Crespo ao São Paulo foi efêmera. Após alguns ajustes iniciais, com uma derrota e um empate, o time engatou uma sequência positiva de cinco vitórias consecutivas. Contudo, esse ímpeto foi interrompido abruptamente. A eliminação precoce na Copa do Brasil, logo nas oitavas de final, para um Athletico-PR que na época disputava a Série B, serviu como um prenúncio do que viria a seguir.
A partir desse ponto, a oscilação se tornou a marca registrada do São Paulo. Embora o time tenha alcançado as quartas de final da Copa Libertadores, superando o Atlético Nacional com muita sorte e empates na ida, a eliminação para a LDU expôs a falta de variação tática e a previsibilidade da equipe. O futebol apresentado careceu de alternativas, tornando o time vulnerável aos adversários mais organizados. Foi nesse período que a equipe “ruiu de vez”, acumulando sete derrotas em oito jogos. Essa derrocada não apenas selou a saída da principal competição continental, mas também fez o Tricolor despencar na tabela do Campeonato Brasileiro.
Fatores que Influenciam o Desempenho: Desgaste Físico e Lesões
Uma semelhança notória entre as duas passagens de Crespo pelo São Paulo reside no desgaste físico do elenco. No entanto, na atual conjuntura, o cenário se agrava com a ocorrência de lesões graves em atletas chave. Essa fragilidade física e a ausência de peças importantes impactam diretamente a capacidade do time de manter um nível de performance consistente e, crucialmente, limitam as opções táticas do treinador para diversificar o jogo. A dependência de alguns jogadores específicos se torna mais evidente quando estes estão indisponíveis.
O Futuro Imediato: Nove Partidas que Definirão a Temporada
O São Paulo ainda tem nove partidas a serem disputadas nesta temporada, e o desempenho nessas partidas será determinante para a avaliação geral do trabalho de Hernán Crespo. A conquista de uma vaga para a Copa Libertadores de 2026, por exemplo, poderia oferecer um alívio e mais fôlego para o treinador continuar seu trabalho, mesmo diante das dificuldades atuais. Cada jogo se torna uma final antecipada na busca por resultados que possam reverter o cenário negativo e reerguer a confiança do grupo e da torcida.
Comparativo de Desempenho: O Padrão de Empates e Derrotas
Uma diferença marcante entre as passagens de Crespo é o número de empates. Em 2021, o time se caracterizou por um grande volume de igualdades, somando 21 empates em 57 jogos, o que representava aproximadamente 36,8% das partidas. Atualmente, em sua fase mais crítica, a equipe registra um número considerável de derrotas: são 10 reveses contra apenas cinco empates em 23 jogos. No total, o aproveitamento de Crespo em seu retorno é de 43,5%, com oito vitórias, cinco empates e 10 derrotas. Este dado reforça a preocupação com a quantidade de resultados negativos e a dificuldade em somar pontos de forma consistente, um contraste gritante com o início promissor de seu primeiro trabalho no Tricolor Paulista.

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