A defesa do Clube de Regatas do Flamengo, outrora um muro intransponível e sinônimo de segurança no Campeonato Brasileiro de 2025, tem demonstrado uma preocupante oscilação nos últimos jogos. A solidez que elevava o Rubro-Negro como o sistema defensivo mais eficiente da competição cedeu espaço a vulnerabilidades que resultaram em sete gols sofridos em apenas quatro partidas. Essa sequência negativa permitiu que o Cruzeiro assumisse a liderança no quesito menos vazado, com 22 tentos sofridos contra 23 do Flamengo, uma inversão de protagonismo que acende o sinal de alerta no Ninho do Urubu.
A queda de rendimento defensivo coincide temporalmente com um desfalque crucial: Léo Ortiz. O zagueiro, pilar fundamental na retaguarda, está afastado dos gramados desde que sofreu um estiramento no tornozelo direito, lesão essa contraída durante o confronto contra o Palmeiras. Embora tenha tentado o sacrifício e retornado para a partida decisiva contra o Racing, na Argentina, contribuindo para a classificação à final da Libertadores, o jogador precisou retornar ao departamento médico para intensificar o processo de recuperação, visando a grande decisão continental marcada para o dia 29 de novembro.
O impacto da ausência de Léo Ortiz e a reorganização da zaga
A ausência de Léo Ortiz forçou o técnico Filipe Luís a buscar alternativas para compor a dupla de zaga. A parceria formada por Danilo e Léo Pereira assumiu a titularidade em boa parte dessa sequência de partidas, mas o desempenho coletivo da dupla não atingiu o nível esperado. Erros individuais, falhas de comunicação entre os defensores e um entrosamento ainda em construção foram evidentes, culminando em gols sofridos contra equipes como Fortaleza, São Paulo e Santos. A situação se tornou ainda mais delicada quando Danilo precisou se ausentar devido à convocação para defender a seleção brasileira, deixando Léo Pereira como a única referência experiente no setor defensivo.
Para suprir a lacuna deixada por Danilo, Filipe Luís recorreu às categorias de base do clube. João Victor foi a opção inicial para formar a dupla com Léo Pereira. No entanto, sua atuação contra o Sport, na Arena de Pernambuco, foi marcada por inseguranças, e as dificuldades persistiram no clássico contra o Fluminense. Essa instabilidade na retaguarda tem sido um dos principais entraves na busca do Flamengo por manter sua invencibilidade e consolidar sua liderança no Campeonato Brasileiro.
Desgaste físico e a necessidade de reação imediata
O cenário se complicou ainda mais com o retorno de Danilo. Após enfrentar a Tunísia pela Seleção Brasileira, o defensor desembarcou no Rio de Janeiro poucas horas antes do clássico contra o Fluminense. Apesar de seu empenho em estar à disposição da equipe, a precaução física o manteve no banco de reservas no início da partida. Contudo, a má atuação de João Victor forçou a entrada de Danilo no intervalo, evidenciando a necessidade de sua presença em campo mesmo diante do considerável desgaste físico. O próprio jogador, em declarações após o jogo, ressaltou o incomum desafio de atuar duas vezes em um período tão curto, abordando o peso da derrota para o rival e a urgência em reverter o momento na reta final do campeonato.
O Flamengo na briga pelo título e os próximos desafios
Apesar dos tropeços recentes na defesa, o Flamengo mantém-se na liderança isolada do Campeonato Brasileiro de 2025, ostentando 71 pontos em sua campanha. A equipe rubro-negra retorna a campo neste sábado, no palco sagrado do Maracanã, para enfrentar o Bragantino. A partida é crucial para a manutenção da ponta da tabela. Logo atrás, o Palmeiras, seu adversário na final da Libertadores, segue na cola com 69 pontos e também entra em campo no mesmo dia, medindo forças contra o Fluminense. A disputa pelo título segue acirrada, e a solidez defensiva se mostra um fator determinante para a conquista da taça.
O desempenho defensivo em números e a comparação com os concorrentes
A análise do desempenho defensivo do Flamengo revela um declínio notável. De um time que apresentava a menor média de gols sofridos por partida, o Rubro-Negro passou a figurar em uma posição menos confortável. A comparação com o Cruzeiro, que agora lidera o ranking de defesa menos vazada com 22 gols sofridos, serve como um importante termômetro. A diferença de apenas um gol pode parecer pequena, mas em um campeonato tão equilibrado, cada detalhe conta. A capacidade de transição da equipe, a recomposição defensiva e a comunicação entre os zagueiros serão pontos cruciais a serem trabalhados pela comissão técnica para garantir que a retaguarda volte a ser um ponto forte, e não um ponto fraco, na reta final da competição e na iminente decisão da Libertadores.
Análise tática e possíveis soluções para a zaga
A questão defensiva vai além da ausência de peças individuais. A dinâmica das partidas, as estratégias adotadas pelos adversários e a própria organização tática da equipe em campo são fatores que precisam ser minuciosamente analisados. A dificuldade em conter os avanços adversários em momentos cruciais tem sido um padrão recorrente. A busca por uma dupla de zaga mais entrosada, aprimoramento da cobertura dos volantes e laterais, e um melhor posicionamento em bolas paradas são alguns dos aspectos que Filipe Luís e sua comissão técnica devem intensificar nos treinamentos. A capacidade de adaptação e a busca por soluções táticas que minimizem os riscos serão essenciais para que o Flamengo possa reencontrar a segurança defensiva que o caracterizou em grande parte da temporada.

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