O mundo do futebol brasileiro tem passado por transformações significativas com a ascensão das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Nesse cenário, o Botafogo, sob a gestão de John Textor através da Eagle, tem se destacado não apenas por suas performances em campo, mas também pelas estratégias de gestão e parcerias internacionais. Recentemente, durante o Summit Academy da CBF, realizado em São Paulo, o CEO do Glorioso, Thairo Arruda, compartilhou insights valiosos sobre a jornada do clube na modalidade, utilizando um toque de humor para ilustrar os desafios e aprendizados.
A relação do Botafogo com o Olympique Lyonnais, outro clube da rede Eagle, foi um dos pontos centrais da conversa. Arruda provocou risos na plateia ao fazer uma brincadeira sobre empréstimos financeiros ao clube francês: “Quando soube que o tema seria SAF no Brasil, pensei que precisava dividir algo prático da experiência do Botafogo. A primeira lição é simples: não emprestem dinheiro ao Lyon. Podem emprestar para qualquer outro time, menos para eles… eles não pagam“, declarou o dirigente, evidenciando a dinâmica peculiar entre as entidades sob a mesma gestão.
Essa dinâmica, embora palco de piadas, reflete uma realidade complexa. O Botafogo e o Lyon integram a rede de clubes administrada pela Eagle, resultando em uma troca contínua de recursos e jogadores entre Brasil e França. Informações divulgadas indicam que o clube carioca já cedeu aproximadamente R$ 771 milhões em empréstimos ao Lyon, com um saldo pendente de R$ 286 milhões registrado em agosto. Essa situação, mesmo com o desenrolar de um conflito judicial desde julho, não impede que os benefícios da parceria sejam reconhecidos.
A Rede Multiclubes e Seus Fluxos Financeiros
A participação do Botafogo em um grupo multiclubes, sob a batuta de John Textor, tem sido um fator de grande relevância nos primeiros anos da SAF. Thairo Arruda ressaltou a importância desse modelo para a sustentabilidade financeira do clube. O sistema de caixa compartilhado, idealizado por Textor, tem se mostrado uma ferramenta eficaz para garantir liquidez imediata quando um dos clubes necessita de recursos. A capacidade de um clube da rede gerar receita expressiva, como a venda de um jogador por dezenas de milhões de euros, pode ser crucial para suprir necessidades de fluxo de caixa em outra afiliada, como o Botafogo. Essa interdependência, embora complexa, demonstra o potencial de sinergia dentro de uma estrutura bem gerida.
A inversão do fluxo financeiro entre os clubes é um exemplo claro dessa dinâmica. Inicialmente, o Lyon era o principal fornecedor de recursos para o Botafogo. No entanto, com o passar do tempo e a consolidação da SAF alvinegra, essa relação se reverteu. O próprio CEO do Botafogo explicou essa evolução, detalhando como o clube carioca passou a apoiar financeiramente o Lyon em determinados momentos. Essa capacidade de adaptação e a geração de receita robusta, com projeção de fechar o ano de 2025 com um faturamento próximo a R$ 1,5 bilhão, permitiram que o Botafogo quitasse uma parcela considerável das dívidas contraídas com o clube francês, gerando ainda um saldo positivo.
Reconstruindo Pontes e Fortalecendo Relações
Apesar da ruptura, que o dirigente descreveu como possivelmente momentânea, os esforços para reconstruir a ponte de relacionamento entre o Botafogo e o Lyon estão em andamento. As conversas entre as partes indicam um desejo mútuo de restabelecer a colaboração e fortalecer os laços que unem os clubes e seus respectivos sócios. Essa busca por uma recomposição da parceria é fundamental para que ambos continuem a colher os frutos da rede multiclubes, aproveitando as sinergias em termos de desenvolvimento de jogadores, intercâmbio de conhecimento e, principalmente, sustentabilidade financeira.
A presença de Thairo Arruda no painel “SAFs no Brasil: Experiência, Lições Aprendidas e Futuro” ao lado de outros líderes do futebol brasileiro, como Carlos Amodeo, CEO do Vasco, sublinha a importância de compartilhar experiências e aprendizados no ecossistema das SAFs. A jornada do Botafogo, com seus altos e baixos, sucessos e desafios, como a questão financeira com o Lyon, serve como um estudo de caso valioso para outros clubes que buscam se adaptar e prosperar sob o novo modelo de gestão. O humor, utilizado por Arruda, não diminui a seriedade das questões abordadas, mas sim facilita a compreensão da complexidade inerente à gestão de clubes de futebol modernos, especialmente dentro de um grupo internacional.

Escritor especializado em cobrir notícias sobre o mundo do futebol. Apaixonado por contar as histórias por trás dos jogos e dos jogadores







