O universo do futebol, conhecido por sua paixão e rivalidades acirradas, também é palco de complexas disputas nos bastidores. Uma nova controvérsia emerge envolvendo o Santos e a empresa Secasport, que acusa o clube paulista de práticas coercitivas durante a transferência do atacante venezuelano Yeferson Soteldo para o Fluminense em junho do ano passado. A ação judicial movida pela Secasport revela um cenário de pressão e alegadas perdas financeiras, lançando sombras sobre a negociação que levou o jogador a trocar o alvinegro praiano pelo clube carioca. A disputa legal promete acirrar os ânimos e trazer à tona detalhes cruciais sobre a gestão financeira e as relações comerciais do Santos.
A Transferência de Soteldo e o Início da Disputa
A transferência de Yeferson Soteldo para o Fluminense, em junho do ano anterior, foi um movimento significativo no cenário do futebol brasileiro. O atacante venezuelano, conhecido por sua habilidade e velocidade, desembarcou no clube carioca com a expectativa de reforçar o ataque e contribuir para a busca por títulos. No entanto, a negociação, que à época pareceu um desfecho natural para ambas as partes, agora é questionada pela empresa Secasport, que desempenhou um papel importante na intermediação da transferência. A Secasport alega ter sido submetida a pressões indevidas por parte do Santos, que a teria obrigado a renunciar a valores legítimos a receber para que a negociação fosse concretizada. Essa acusação grave levanta sérias questões sobre a conduta do clube paulista e a lisura do processo de transferência.
Dívidas Preexistentes e a Condição Imposta pelo Santos
O cerne da disputa reside em dívidas anteriores do Santos com a Secasport, que somavam um montante considerável. A empresa aponta que já existia um débito de R$ 515 mil, em discussão na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), e que o clube ainda devia parcelas referentes a uma comissão de R$ 3,8 milhões, provenientes de intermediações anteriores. Em meio a esse cenário de pendências financeiras, surgiu a oportunidade de venda de Soteldo ao Fluminense. Segundo a Secasport, o Santos impôs uma condição considerada “irredutível” para liberar o atleta: a quitação integral de todos os valores em discussão na CNRD, além da renúncia a créditos remanescentes de um distrato, no valor de R$ 960 mil. Essa exigência, segundo a empresa, configurou uma pressão indevida, que a colocou em uma situação de vulnerabilidade econômica.
Acusação de Coação e a Posicionamento de Vulnerabilidade
A Secasport argumenta que se viu diante de uma escolha forçada: ceder às exigências do Santos e abrir mão de seus créditos, ou impedir a transferência de Soteldo, o que geraria um prejuízo financeiro ainda maior. A empresa afirma que, em razão de sua “posição de vulnerabilidade econômica”, aceitou as condições impostas pelo clube paulista. Essa alegação de coação é central na ação judicial, pois, se comprovada, pode configurar uma prática abusiva por parte do Santos. A Secasport sustenta que a renúncia aos seus créditos não foi voluntária, mas sim resultado de uma pressão indevida, que a obrigou a aceitar condições desfavoráveis para garantir a concretização da transferência. Além disso, a empresa acusa o Santos de má-fé, alegando que o clube descumpriu um novo acordo firmado no contexto da negociação, comprometendo-se verbalmente a repassar 5% do valor da transferência, o que não teria ocorrido.
Os Valores em Jogo e o Pedido de Arresto de Bens
A quantia envolvida na disputa é significativa. Soteldo foi vendido ao Fluminense por US$ 5 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 30 milhões na cotação da época. A Secasport cobra na Justiça o pagamento dos R$ 515 mil discutidos na CNRD, mais R$ 2,2 milhões referentes a intermediações passadas, além dos 5% do valor da transferência, que correspondem a R$ 1,5 milhão. A empresa também busca indenização por danos morais, além de honorários advocatícios e custas processuais. Para garantir o pagamento do débito, caso obtenha uma decisão favorável, a Secasport solicitou o arresto de bens do Santos, medida que visa impedir o clube de dispor de seus ativos até a quitação da dívida. Essa solicitação demonstra a determinação da empresa em buscar seus direitos na Justiça e a gravidade da situação financeira enfrentada pelo Santos.
A Resposta do Santos e os Próximos Passos
Até o momento, o Santos não se manifestou oficialmente sobre as acusações da Secasport. A ausência de um posicionamento do clube paulista alimenta a especulação e a incerteza sobre o desfecho da disputa. A reportagem permanece aberta para atualizações, caso o Santos apresente sua versão dos fatos. A ação judicial movida pela Secasport promete ser um processo longo e complexo, com potencial para gerar repercussão em todo o cenário do futebol brasileiro. A decisão final caberá à Justiça, que deverá analisar as provas apresentadas pelas partes e determinar se houve, de fato, coação por parte do Santos e se a empresa Secasport teve seus direitos violados. O caso serve como um alerta para a importância da transparência e da lisura nas negociações envolvendo clubes e empresas de intermediação, a fim de evitar conflitos e garantir a integridade do futebol.

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